American Beauty (1999)
Publicado por jcosta em 13/07/2009
Boas! O filme de hoje é uma das maiores lacunas na minha imensa lista de filmes já vistos. Vencedor de 5 óscares da academia em 2000, incluindo Melhor Filme, este é American Beauty ou como se diz por cá, Beleza Americana.

Género: Drama.
Duração: 122 min
Língua: Inglês.
Orçamento: 15 milhões de dólares.
Receita: 356 milhões de dólares.
Rating: M/ 16.
Tagline: … Look closer.
Realizado por: Sam Mendes (Vencedor de 1 Óscar || Revolutionary Road).
Elenco: Kevin Spacey (Vencedor de 2 Óscares || LA Confidential), Annette Benning (Nomeada para 3 Óscares || The American President), Thora Birch (Dungeons & Dragons), Wes Bentley (Ghost Rider), Mena Suvari (American Pie), Chris Cooper (Vencedor de 1 Óscar || Adaptation), Peter Gallagher (The OC) e Allison Janney (The West Wing).
Sumário: Lester Burnham (Spacey) é um homem de 42 anos com uma vida infeliz tanto no seu trabalho como em sua casa. A sua mulher Carolyn (Benning) tem uma firma imobiliária e uma relação muito distante com o seu marido. A sua filha Jane (Birch) abomina os pais e possui uma auto-estima muito fraca. Os seus novos vizinhos são o rígido Coronel Frank Fitts (Cooper), a sua esposa Barbara (Janney) e o seu filho Ricky (Bentley), que sofre bastante com o seu pai tendo de se submeter a testes semestrais à urina para verificar o uso de droga, já que Ricky vendia (e vende) erva. Lester, num jogo de basquetebol fica obcecado pela colega de Jane, Angela (Suvari), fantasiando muitas vezes com ela. Numa tentativa de impressionar Angela, Lester torna-se num homem diferente, trocando de carro e fazendo exercício físico regular de modo a “ficar bem despido”, levando a vida de maneira mais descontraída e à sua maneira, criando cada vez mais conflitos no seu trabalho e com a sua família, enquanto a sua mulher se envolve com um colega e a sua filha se apaixona por Ricky.
Review: Há alturas em que devemos reconhecer que somos burros. Mas às vezes a burrice torna-se benéfica. Tive tantas oportunidades para ver este filme ao longo destes anos, logo sou burro por o nunca ter visto. No entanto saio assim beneficiado porque desta forma consigo apreciar o filme na sua plenitude e não como em outros que vi quando era mais novo. American Beauty é uma obra de arte sublime. Sempre me disseram que era um grande filme, mas eu acrescento e digo que é fantástico, impressionante, envolvente, etc etc. Impressionante como se consegue mostrar numa história tão simples e tão banal tantos sentimentos e tantas lições de vida, sempre com um toque de humor sublime (sem estragar o rumo da história) e com o envolvimento de pequenos pormenores da vida que devem afligir muitos casais, como a negação e a fachada a cobrir a pura infelicidade. Não há nada de errado neste filme. Não podia ser melhor e podia ter sido tão mau se não tivesse tido uma maneira de lidar por Sam Mendes e a sua equipa verdadeiramente notável, tornando sem dúvida neste filme, a maior obra prima do realizador e marido da oscarizada Kate Winslet. Curiosamente foi o primeiro filme para cinema que fez, seguindo-se outros claramente inferiores como Road To Perdition ou o Revolutionary Road (e o Jarhead mas esse não vi).
O elenco tem uma prestação que merece autênticas vénias. A prestação de Kevin Spacey é perfeita e era impossível ele não ganhar o óscar aqui. Uma das melhores prestações que já vi de um dos melhores actores que há. Annette Benning não lhe fica atrás e foi batida por (segundo dizem) uma interpretação sobre-humana de Hillary Swank em Boys Don’t Cry. Aqui até a deusa Meryl tinha poucas hipóteses de ganhar (o que parece impossível). Birch e Bentley são mais discretos mas cumprem exemplarmente os seus papéis. Cooper é também grande em quase todos os filmes que vi dele e aqui não é excepção. Suvari não tem tanta qualidade mas também excedeu o que estava à espera.
Realmente agora fico convencido do porquê deste filme ter ganho a filmes geniais como Sixth Sense ou Green Mile. Realmente não havia volta a dar. O filme todo transborda mais do que passa na tela. Incrível a espiral de emoções mostradas durante todo o filme, assim como um culminar absolutamente fantástico com um misto de crueldade com a satisfação de que realmente era o melhor fim que podia ter acontecido. Não é nada de novo se disser que Lester morre porque a primeira coisa que se diz no filme é que ele de facto morre. Pensa-se que isso poderia estragar a história, mas antes pelo contrário faz ainda mais com que o espectador se centre no essencial e na evolução da personagem de Lester do que na sua morte. As divagações dele são excelentes e o humor como já referi é cirúrgico. Impressionante também como nem tudo gera à volta de Lester, mas consegue-se captar a mensagem passada por todas as outras personagens, que acabam por ser um pouco como ele, vivendo uma certa fachada e com as suas inseguranças e problemas pessoais. Brilhante.
Pode parecer que estou a exagerar mas de facto não estou. Encheu-me as medidas tal como o Slumdog o fez este ano (se calhar mais ainda). Não chega ao supra-sumo Shawshank, à perfeição de uma ponta a outra de Return Of The King e à história absolutamente genial e divertida de Back To The Future – sim estes são os meus filmes favoritos – mas está no topo de filmes que realmente se deve ver antes de morrer e nos melhores de sempre. Se não viram ainda estão à espera de quê? Próximo: Apocalypto do sr. Mel Gibson.
Nota: 9.5
Trailer: