Review’em All

The Princess and the Frog (2009)

Publicado por jcosta em 09/02/2010

Olá mais uma vez. Continuando o seguimento dos filmes nomeados nas principais categorias dos óscares da academia, hoje a animação continua em destaque com o novo sucesso da Disney: A Princesa e o Sapo.

Género: Animação.

Duração: 97 min.

Língua: Inglês.

Orçamento: 105 milhões de dólares.

Receita: 169 milhões de dólares.

Rating: M/6.

Realizado por: Ron Clements (Nomeado para 2 Óscares || Aladdin) e John Musker (Nomeado para 1 Óscar || The Little Mermaid).

Vozes: Anika Noni Rose (Dreamgirls), Bruno Campos (Nip/Tuck), Keith David (The Chronicles of Riddick), Michael-Leon Wooley (Dreamgirls), Jennifer Cody, Jim Cummings (The Tigger Movie), Peter Bartlett (The Producers), Jennifer Lewis (Cars), Oprah Winfrey (Charlotte’s Web), Terrence Howard (Nomeado para 1 Óscar || Iron Man) e John Goodman (The Big Lebowski).

Sumário: Tiana (Rose), uma jovem negra e habitante de Nova Orleães, vive num lar modesto com os seus pais. A sua melhor amiga Charlotte (Cody), é rica e tem sempre tudo o que quer, mas não é por isso que deixam de se dar bem ou Tiana deixa de ser infeliz. O amor no seu lar é suficiente para ela. Juntas, as amigas ouvem histórias de sonho e de contos de fadas. O seu pai, constantemente fala no objectivo de construir um restaurante famoso. Anos mais tarde, Tiana trabalha de facto num restaurante, mas não no seu e a servir às mesas. Todo o dinheiro que ganha, vai juntando minuciosamente para cumprir o sonho do seu pai, entretanto falecido na guerra. Ao mesmo tempo, a cidade está um tumulto. O Príncipe Naveen (Campos) chegou à cidade e Charlotte, apronta-se para o conhecer e cumprir o seu sonho de ser uma verdadeira princesa. Porém, Naveen está falido. Com o seu estilo de vida boémio, os seus pais cortaram-lhe os fundos, o que parece não o afectar. Na cidade, conhece o mestre do oculto Dr. Facilier (David), que juntamente com o servo do Príncipe (Bartlett), foram um plano para o tirar do poder. Com isto, Naveen é transformado num sapo. Nessa noite, encontra Tiana desesperada por não conseguir os seus objectivos, convencendo-a a beijá-lo, pois como na história ele voltaria a ser um belo príncipe, podendo-lhe dar os fundos necessários à compra do restaurante. Mas o plano não corre bem e Tiana também se transforma num sapo. Agora os dois têm de se juntar de modo a que possam voltar à sua forma, com o auxílio de novos amigos e contra as forças do mal de Facilier, de modo a que os seus sonhos sejam cumpridos.

Review: Há uns tempos que a Disney parecia ter evoluído nos seus filmes. Além de produzir coisas afastadas da animação, também passou a acompanhar a evolução da tecnologia, que por exemplo, a Pixar usa e abusa. Porém, os grandes clássicos como a Branca de Neve, Cinderela, Bela e o Monstro, etc. é que sempre ficaram na memória de muitos, incluindo a minha. Quem pensa em Disney, pensa automaticamente em obras deste género. E com isto, alguns anos depois, a Disney decide apostar em A Princesa e o Sapo, num regresso a essa fórmula antiga e que tantas recordações deixaram.

Por isso aqui não há nada que saber. Rapariga pobre, apaixona-se pelo príncipe, o príncipe apaixona-se por ela, há um gajo mau e cheio de magia a querer fazê-los mal, mas depois por uma magia qualquer das fadinhas da Floribela, tudo corre bem, eles casam-se e vivem felizes para sempre. Basicamente seria isto o standard. E não minto quando digo que este Princess não foge muito a isso. Porém, há aqui umas situações engraçadas. A história clássica da tipa que beija o sapo e este se transforma num príncipe, é invertida e transforma-se ela também num sapo. Ora isto até soa ridículo, mas acaba por tornar a trama mais divertida. E os putos deverão delirar. Claro que o resto dos clichés estão todos lá, mas aqui a Disney conseguiu dar umas voltas interessantes, o que é bom. É como irmos daqui ao Porto pela A1… já sabemos como é, sempre a direito. Mas se calhar se formos por outra alternativa (que na minha pura ignorância não conheço), até é capaz de ser mais giro, porque se calhar até se vê coisas novas e ainda nos perdemos pelo caminho, o que dá mais emoção. E pronto, com esta maravilhosa metáfora descrevi um dos aspectos interessantes do filme.

Temos o regresso das animações mais clássicas, das canções da praxe, dos animais falantes, das coisas todas mágicas e do amor e não sei quê. Por estas e por outras, este filme é um “must” para a criançada mais nova. Para nós, gente mais velha (mas com menos juízo), é quase como ligar a M80 e ouvir uns belos clássicos. É bonito, entretém, mas depois começa já a fartar um bocadinho, porque começam a dar muita coisa que não interessa para nada. A história é bonita, fácil, sem grandes artimanhas e bem construída. Deu para matar saudades, para rir ainda um bocadinho e pronto. Acabou por aí.

O resto acaba depois por se tornar um bocado maçudo, principalmente porque como já se sabe onde a história vai parar, começa a fartar um bocadinho. Eu gosto muito de ver filmes de animação, mas já não é destes. Já tive o meu tempo para isto. Mas, acho que é de louvar o regresso da Disney a esta fórmula, pois acho que cada vez mais, as crianças devem ter mais dificuldade em captar tudo da nova vaga de obras de animação. Gostam por causa dos bonecos, percebem a história base, mas algumas moralidades / sátiras / piadas só são atingidas pelo pessoal mais velho. Com estes, já podem voltar a ter aqueles contos de fadas para rirem, cantarem, dançarem (e por esta altura os pais já estão a pensar NOOOOOO), chorarem (porque há sempre lamechices e pequenas tragédias) e principalmente, perceberem tudo de uma ponta à outra.

E pronto, é isto. Nada mais há a dizer além de que, dos que vi até agora, trata-se do inferior. Fica a faltar o Coraline para arrumar esta categoria, mas a próxima review não será sobre isso. Fartei-me de bonecos e deu-me para passar à 1ª divisão, com Up In The Air (nomeado em montes de categorias). Portanto, não percam, podem ir seguindo os posts sobre os nomeados aqui e fiquem bem.

Nota: 7

Trailer:

Publicado em 2009, Filmes, Oscares 2010 | Leave a Comment »

The Secret of Kells (2009)

Publicado por jcosta em 08/02/2010

Olá. Vamos lá continuar com isto. Desta vez temos o ultra desconhecido Secret of Kells.

Género: Animação.

Duração: 75 min.

Língua: Inglês.

Rating: M/6.

Realizado por: Tomm Moore (Nomeado para 1 Óscar).

Vozes: Evan McGuire, Christien Mooney, Mick Lally (A Man of No Importance) e Brendan Gleeson (In Bruges).

Sumário: No século IX, o jovem Brendan (McGuire) é educado pelo seu tio, o Abade Cellach (Gleeson), na aldeia de Kells. Devido aos ataques constantes de povos nórdicos ao mundo cristão, o Abade vive obcecado em proteger a sua aldeia, apostando tudo na construção de um gigante muro a separar o aglomerado da floresta circundante. Brendan sempre esteve proibido de sair das imediações, tendo uma educação muito rígida. No entanto, a sua personalidade é muito mais aventureira e os relatos que ouve sobre a lendária ilha de Iona e o seu famoso livro, pintado pelo iluminador histórico da zona. Um dia, o velho Irmão Aidan (Lally) chega a Kells, precisamente refugiado de uma atacada Iona. Desde cedo, Brendan sente-se fascinado pelo ancião, descobrindo que é ele o autor do livro de que tanto ouviu falar. Sedento para aprender, Brendan segue as pisadas do Irmão, saindo pela primeira vez em direcção à floresta para encontrar tinta para desenhar. Lá conhece Aisling (Mooney), que o ajuda e de quem se torna amiga. Contra a vontade do seu tio, Brendan mal sabe que irá entrar na aventura da sua vida, enquanto o mundo lá fora se torna cada vez mais perigoso, com o aproximar da ameaça nórdica.

Review: A primeira vez que ouvi falar neste filme foi no dia 2 de Feveiro de 2010. Precisamente no dia em que as nomeações para os óscares saíram. Uma produção europeia, se não me engano irlandesa e belga, normalmente não tem grande peso no mercado americano, o que por tabela acontece um pouco por todo o mundo. Porém, bem dita a hora em que tive a oportunidade de conhecer (e ver) esta obra.

Numa animação, à semelhança de Mr. Fox (mas muito diferente), bastante mais simples do que se está habituado hoje em dia, Secret of Kells baseia-se no misticismo celta, sequências de cenas lindíssimas e uma história bastante madura, aliás até bastante madura demais para a malta mais nova. Mas vamos por partes.

Desde a música, ao sotaque das vozes, passando pelo próprio tema da história, é integrada de maneira excelente em todo o misticismo celta e história irlandesa. É muito interessante poder ver um filme de animação, ir buscar esta temática tão interessante (se não acreditam vejam). Segundo, mesmo com uns desenhos que à primeira vista parecem rudimentares, The Secret of Kells tem dos momentos visuais mais bonitos do ano na animação. Bastante abstracto aqui e ali, mas sempre com bastante simbolismo, as cores, as formas, etc. Excelente. Por fim, a história apesar de parecer bastante simples (e em alguns momentos sim), tem alguns contornos muito “alternativos” aqui e ali. E é aí que eu acho que está o brilho especial. As lições escondidas, mas muito humanas, que ensina e até a tragédia que mostra com as invasões nórdicas, fazem deste filme algo diferente, algo inovador (pelo menos do que eu estou habituado) e algo necessário.

Não devia de haver muitos recursos para fazer isto. Só Gleeson é conhecido nas vozes e se calhar só aqui está por ser irlandês. Mas mais uma vez, prova-se que a qualidade não é muitas vezes sinónimos de quantidade. Mas, como em tudo na vida, não há nada perfeito e nem tudo são rosas. A curta duração do filme, com o potencial atroz da história, acaba por às vezes deixar algumas pontas soltas (ou pelo menos mal atadas). É pena, pois alguns momentos poderiam ter sido melhor explorados. Depois, como já referi, é de ter atenção que muitos miúdos não conseguirão perceber muita coisa. Aliás, até se podem assustar. Dou o exemplo da cena com o monstro na floresta, ou até a maneira tão crua e negra como são tratados (e desenhados) os vikings.

Resumindo, foi interessante, tocante e encheu as medidas. Até agora dos 3 (4… mas ainda não falei desse) que vi, são melhores do que os candidatos que perderam frente a Wall-E no ano passado. É pena que este ano haja um Up, que os impeça de brilhar. Mas ser nomeado já é brilhante. Amanhã (espero eu) voltarei com o novo futuro clássico da Disney: A Princesa e o Sapo. Outros nomeados: aqui

Nota: 7.5

Trailer:

Publicado em 2009, Filmes, Oscares 2010 | Leave a Comment »

Fantastic Mr. Fox (2009)

Publicado por jcosta em 05/02/2010

Olá. Hoje começa a sequência de filmes nomeados para o prémio máximo do cinema norte-americano. Como o tempo é escasso, vou me dedicar primeiro aos de animação que são sempre mais curtos. Hoje começo pelo Fantástico Senhor Raposo.

Género: Animação.

Duração: 87 min.

Língua: Inglês.

Orçamento: 40 milhões de dólares.

Receita: 39 milhões de dólares.

Rating: M/6.

Tagline: Dig the life fantastic.

Realizado por: Wes Anderson (Nomeado para 2 Óscares || The Royal Tenenbaums).

Vozes: George Clooney (Vencedor de 1 Óscar || Oceans Eleven), Meryl Streep (Vencedora de 2 Óscares || Doubt), Jason Schwartzman (The Royal Tenenbaums), Bill Murray (Nomeado para 1 Óscar || Lost in Translation), Wallace Wolodarsky (The Darjeeling Limited), Eric Chase Anderson (The Life Aquatic With Steve Zissou), Michael Gambon (The Omen), Willem Dafoe (Nomeado para 2 Óscares || Spiderman) e Owen Wilson (Nomeado para 1 Óscar || Marley & Me).

Sumário: O Sr. Fox (Clooney) fazia a sua vida a assaltar quintas, à caça de pombos, galinhas e outras aves. Num dia, quando a sua esposa Felicity (Streep) lhe conta que está grávida, decide abandonar a carreira, Dois anos mais tarde, os Foxes vivem num buraco com o seu filho Ash (Schwartzman). Fox dedicou-se a uma vida mais familiar e escreve uma coluna para um jornal. Devido à sua ambição de contrariar a aparente pobreza, Fox muda-se com a sua família para uma casa na árvore, apesar dos conselhos contra do seu advogado Texugo (Murray). O problema é que a casa encontra-se muito perto de 3 quintas de agricultores ferozes, sendo o principal o produtor de cidra Bean (Gambon). Entretanto, Fox decide recrutar o seu amigo marsupial Kylie (Wolodarsky), para assaltar as 3 quintas. Apesar do plano se revelar um sucesso, os agricultores unem-se para apanhar Fox, que juntamente com a sua família e amigos, terá de lutar pela sua sobrevivência e a da sua família.

Review: O Fantástico Senhor Fox não é um filme de animação normal. Todos estamos habituados a ver os excelentes desenhos e efeitos dos filmes da Pixar e da Disney, portanto não seria de esperar nada de diferente à partida para este. Para os mais distraídos, este Fox pode “chocar” já que as animações são muito rudimentares , quase a fazer lembrar aqueles desenhos animados de “plasticina” que havia há uns anos (no sentido do artificial… os bonecos aqui não parecem de plasticina). Tenho de ser sincero e reconhecer que me fez uma certa confusão inicialmente. Mas, como já disse aqui várias vezes, não é preciso ter grande competência a nível visual para se fazer uma boa obra cinematográfica. E este Fantastic Mr. Fox calha precisamente nessa categoria.

Com uma história simples, mas cheia de ironia e de humor clássico, o enredo desenvolve-se rapidamente e com muita coesão. Os mais novos irão perceber e irão se divertir. Os mais velhos, se forem de mente aberta, poderão ainda dar umas risadas com alguns momentos mais irónicos da película. Eu saí de barriga cheia, como se costuma dizer. Não conhecia nada, nem sequer tinha a noção que a animação era tão diferente do usual, mas fiquei encantado com a maneira como o filme está feito. Tem todo o cliché e moralidades que os filmes de “bonecos” costumam ter, mas é bastante cativante principalmente pela ligeireza com que avança.

Pessoalmente, acho que o ponto forte é o humor. Com um Sr. Fox absolutamente Fantástico, as coisas já estariam facilitadas à partida. Fox é um herói um pouco diferente, sendo que é um ladrão e um bocado convencido, mas a forma como nos seus diálogos muitas vezes não dava o braço a torcer, ou tentava ficar sempre “por cima”, está muito bem feita. Mas um herói sem o seu ajudante não é nada. Kylie, o marsupial é Deus neste filme. Com as suas “paragens” cerebrais, as suas tiradas sempre “softs” mas carregadas de piada e a sua aparente inocência / estupidez, fazem desta a melhor personagem. Os “putos” Ash e Kristofferson também fazem uma boa dupla, que com a ingenuidade de um “saloio” e os problemas psicológicos do filho de Fox, originam momentos porreiros.

Pouco ou nada há mais a dizer sobre isto. Podia referir algumas cenas giras, mas acho que estragaria um pouco a piada a quem ainda não viu. Recomendo vivamente este filme de animação, que merece a sua nomeação, apesar de nunca ter hipótese de ganhar seja o que for por existir algo chamado Up. Porém, é de ter em conta que é um bocado necessário o espírito aberto do “deixa andar”, para se apreciar verdadeiramente este trabalho. Pelo menos, só quando me deixei ir na corrente e borrifei-me para os pormenores “diferentes”, é que comecei a aproveitar mais.

O próximo será o desconhecido Secret of Kells, porque precisamente é o mais pequenito de todos (e já são 23.43 e amanhã tenho muito muito muito que fazer). Até lá, fiquem bem e para mais nomeados: coiso

Nota: 8

Trailer:

Publicado em 2009, Filmes, Oscares 2010 | Leave a Comment »

Harry Potter and the Half-Blood Prince (2009)

Publicado por jcosta em 03/02/2010

Boas. Como foi dito no último post, hoje vou falar do último filme extra-óscares de 2010 por uns tempos. A “honra” cabe a Harry Potter e o Príncipe Misterioso, o 6º volume da saga do feiticeiro mais famoso do mundo.

Género: Aventura / Fantasia.

Duração: 153 min.

Língua: Inglês.

Orçamento: 250 milhões de dólares.

Receita: 934 milhões de dólares.

Rating: M/12.

Tagline: Dark secrets revealed.

Realizado por: David Yates (Harry Potter and the Order of Phoenix).

Elenco: Daniel Radcliffe (Potter 1-5), Rupert Grint (Potter 1-5), Emma Watson (Potter 1-5), Jim Broadbent (Vencedor de 1 Óscar || Moulin Rouge!), Michael Gambon (Gosford Park), Bonnie Wright (Potter 1-5), Helena Bonham Carter (Nomeada para 1 Óscar || Sweeney Todd), Alan Rickman (Die Hard), Tom Felton (Potter 1-5), Evanna Lynch (Potter 5), Robbie Coltrane (The World Is Not Enough), Julie Walters (Nomeada para 2 Óscares || Mamma Mia!), Maggie Smith (Vencedora de 2 Óscares || Becoming Jane), David Thewlis (The Big Lebowski), Natalia Tena (Potter 5), Mark Williams (Potter 2-5) e Timothy Spall (Lemony Snicket’s).

Sumário: Com o regresso ao poder de Voldemort, os Devoradores da Morte atacam o mundo dos Muggles e dos feiticeiros. “Nas sombras”, Draco Malfoy (Felton) é incumbido de uma tarefa secreta em Hogwarts, estando protegido pelo professor Snape (Rickman), que fez um Voto Inviolável em como o defenderia a qualquer custo. Harry Potter (Radcliffe), após os acontecimentos no Ministério da Magia, sente-se relutante a regressar a Hogwarts. Numa noite, Dumbledore (Gambon) vai buscar o jovem para ajudar a persuadir o ex-professor Horace Slughorn (Broadbent) a regressar à escola. Harry desconfia que Slughorn tem algo que Dumbledore pretende. Reunido com os seus amigos Ron (Grint) e Hermione (Watson), os 3 descobrem Malfoy com Bellatrix Lestrange (Carter) e outros Devoradores da Morte, a entrarem para uma loja num beco, o que os deixa suspeitos de que algo pode estar a ser planeado. Já na escola, Potter é convencido pela professora McGonagall (Smith) a ter a aula de poções com Slughorn, o que o obriga a pedir um livro emprestado. Porém, esse livro não é usual pois tem notas de um ex-aluno que se auto nomeia de Príncipe Misterioso. Nesse livro, Potter consegue fazer furor na aula de Poções, assim como aprender alguns feitiços mais avançados. Com o ano a decorrer normalmente,  incluindo alguns problemas amorosos entre Ron-Hermione e Harry-Ginny, Dumbledore vai desaparecendo da escola de repente e quando está, passa muito tempo com Potter a mostrar-lhe memórias sobre a infância e adolescência de Voldemort. Entretanto, Malfoy continua a ter atitudes muito suspeitas, o que leva a crer que algo que irá afectar a vida de Potter e dos seus amigos, possa estar prestes a acontecer.

Review: Como apreciador dos livros, sempre foi com alguma expectativa que recebi os filmes do Harry Potter. Os dois primeiros, claramente mais infantis, cumprem bem a missão de introduzir e começar a desenvolver a história que rodeia o jovem feiticeiro. Com o terceiro filme, surge o melhor trabalho da saga, onde temos uma introdução perfeita ao lado mais negro da narrativa. O Cálice de Fogo, claramente um dos melhores livros, ficou muito aquém na sua passagem para cinema. O 5º devido a ser um livro muito grande, fez com que o filme ficasse demasiado “apressado”. Este Half Blood Prince, como livro de transição para o clímax da saga, não era também uma peça fácil de adaptar.

Seguindo um pouco a média dos seus predecessores, O Príncipe Misterioso cumpre com a sua missão. Numa adaptação (quase) bastante coerente, o filme arranca bem e a história é bem desenvolvida. Nota-se uma tentativa de Yates em não puxar muito o lado mais pesado. Com foco muito forte nas relações amorosas normais da adolescência e até em algum humor, acaba por conseguir tornar a história um pouco mais mole, para a malta mais nova poder ver. Porém, não se esquece dos pormenores importantes, introduzindo-os de forma inteligente (nomeadamente os Horcruxes) no enredo, o que torna uma experiência bem agradável para quem não leu. Para quem já conheça o livro, irá notar duas falhas graves. Primeiro, uma certa coisa (que não vou dizer) é destruída e que se bem me recordo (ok eu admito… e fui perguntar a quem mais sabe) é bastante importante para o 7º livro. Segundo, a batalha final completamente cortada não se percebe. Certo que já acontece uma gigante no 7º, mas também acaba por não fazer muito sentido aqueles camaradas entrarem por dentro da escola, como se estivessem a entrar nas urgências do hospital de S. José.

Quanto ao elenco, calculo que seja um privilégio para estes putos trabalharem com mestres. Nota sempre para Alan Rickman, impecável como Snape. Gambon consegue aqui a melhor prestação como Dumbledore, desde que substituiu o malogrado Richard Harris. Felton como Draco rebenta a escala. Os três principais, acabam por trocar um pouco os papéis. Digam o que disserem, Radcliffe foi excelente escolha para Potter e cada vez mais o prova. Rupert Grint, que em miúdo era o melhor, começa a perder gás comparando com os seus colegas. Emma Watson, cada vez mais gira, continua com uma média ponderada de filme para filme. A melhor prestação para mim é de Broadbent como Slughorn. Muito bem arrancada.

Bons efeitos especiais, bom ritmo, boa evolução da história e personagens principais e coerência q.b., colocam este Harry Potter na média de qualidade da saga. Os dois primeiros foram bons, merecendo um 7. Digam o que disserem, os livros são muito soft e infantis, pelo que Columbus tinha que os fazer assim. O terceiro para mim, com 7.5 é o melhor. O quarto levaria um 6, pois é algo infeliz. O quinto com um 6.5/7  (devido à dificuldade de adaptação) e por fim este sexto com 7 também. Quem continua a criticar os filmes, está no seu direito, mas penso que deve começar a cair na real. Raramente se ultrapassa o livro. E este Potter não foge à excepção. Porém, as adaptações estão inteligentes, bem adaptadas ao público cinéfilo (e que pode não ter lido os livros) e entretém as massas que pagam para ver.

Espero ansiosamente pelos dois últimos volumes da saga. Enquanto isso, amanhã começa a tareia dos óscares com um filme que ainda vou decidir qual é. Até lá, fiquem bem.

Nota: 7

Trailer:

Publicado em 2009, Filmes | 2 Comentários »

The Incident (2009)

Publicado por jcosta em 03/02/2010

Olá, de novo. Para fechar este mini-regresso à música, vou falar sobre algo que me chegou às mãos à relativamente pouco tempo, mas que já ouvi 300000000000 de vezes desde aí. Falo de The Incident, o mais recente trabalho dos Porcupine Tree.

Banda: Porcupine Tree (Reino Unido – 1987).

Género: Progressive / Alternative / Psychedelic Rock.

Timeline: 10º álbum de estúdio.

Predecessor: Fear of a Blank Planet (2007).

Duração: 75:56.

Alinhamento:

Disco 1:
The Incident (I. Occam’s Razor; II. The Blind House; III. Great Expectations; IV. Kneel and Disconnect; V. Drawing the Line; VI. The Incident; VII. Your Unpleasant Family; VIII. The Yellow Windows Of The Evening Train; IX. Time Flies; X. Degree Zero Of Liberty; XI. Octane Twisted; XII. The Seance; XIII. Circle Of Manias; XIV. I Drive The Hearse).

Disco 2:
1 – Flicker; 2 – Bonnie The Cat; 3 – Black Dahlia; 4 – Remember Me Lover.

Review: Até há bem pouco tempo, apenas conhecia Porcupine Tree de nome. Nas reviews anteriores sobre álbuns, tentei dar sempre um contexto no que toca aos trabalhos anteriores da banda X ou Y. Desta vez, vou ter de me limitar a este Incident, pois apesar de já ter ouvido outras coisas assim meio soltas, ainda não tenho a opinião sobre elas bem formadas. Portanto, vamos a isto.

The Incident é composto por 2 cd’s. O primeiro, contém um tema único e homónimo do álbum, dividido em 14 faixas. O segundo, quase como se de um EP se tratasse, contém apenas 4 faixas, que no máximo ultrapassa muito pouco os 20 minutos. Sempre ouvi e li que os Porcupine viam os Pink Floyd como uma forte referência. Porém, nunca achei que isso fosse relevante. Para mim Pink Floyd são únicos. Mas um dia cedi e ouvi este The Incident.

Tudo começa com um simples riff a 3 tempos, que se repetiu 3 vezes seguidas. Uma guitarra acústica começou-se a ouvir muito ao longe, até que voltou o mesmo riff, desta vez apenas 2 vezes. A partir daí, quase que se faz silêncio, à excepção de uns sons meio assustadores e um baixo quase inaudível. É assim que os quase 2 minutos de Occam’s Razor se dão, até tudo explodir num ritmo muito semelhante ao inicial, dando entrada a Blind House e à brilhante voz de Steven Wilson. Apesar de aqui e ali ter uma toada mais pesada, a inspiração nítida em Pink Floyd se encontra lá, com um rock progressivo e quase psicadélico. Wilson, cantando sempre num tom baixo e suave (fazia lembrar muitas vezes Gilmour e Waters), acompanha sempre de maneira perfeita o instrumental.

Quase sem parar, surge a viola acústica a acompanhar unicamente a voz em Great Expectations. De repente entra um bonito solo, até que volta de novo à maior calmaria (desta vez acompanhada de bateria). Mas o solo teimoso surge de novo, passando de seguida para o acústico. E sem parar vem Kneel and Disconnect. Nota-se aqui que o cd 1 não pára… Aliás trata-se de apenas uma música dividida em 14 partes. Esta 4ª parte é simples, com vocais bonitos. O que mais me impressiona nestas músicas, é a harmonia entre instrumental e voz, assim como a perfeição com que se fazem as transições entre as melodias. E enquanto se pensa nisso, entra um bonito som de um instrumento irreconhecível para mim a dar o mote para Drawing the Line. Não é fácil de descrever. Tudo parece simples e linear, mas ao mesmo tempo quase que dá arrepios pelas costas abaixo de tão bem escrito que está. O refrão entretanto chega e reconheço que estraga um pouco o sentimento. Não tem muito a ver com o resto do tema e é bastante repetitivo. Não é mau, mas também ficou um pouco aquém. The Incident vem a seguir e com um som quase à Massive Attack muda um pouco o estilo. Lá começam a aparecer as guitarras e tal, até que quando menos se espera vem a sequência final que me ia causando um AVC de tão perfeita que é. Steven Wilson aqui na voz faz imensos estragos.

Your Unpleasant Family é a 7ª faixa e para mim a inferior. Não é má, pois tem um instrumental bastante à Dark Side of the Moon, mas pela primeira vez acho a voz não tão enquadrada na coisa. The Yellow Windows Of The Evening Train não vou comentar muito. Faixa de transição, oferece apenas uma melodia quase de disco de vinil, fazendo muito lembrar o início de Us and Them dos Pink Floyd por vezes. E quando se esperava por alguma coisa de interessante, eis que chega o suporte deste mega tema. Time Flies de mais de 11 minutos, arranca com a guitarra acústica a carburar e trata-se na minha opinião da melhor faixa do álbum. Desde um início bem conseguido, até um refrão interessante e variações de ritmos variadas (mas não repentinas), trata-se de uma música cheia do princípio ao fim. Quando Degree Zero of Liberty chega, parece que o cd ficou estragado e se voltou a Occam’s Razor. Mas, uns novos dedilhares fazem perceber que é mesmo assim. Um tipo às vezes esquece-se que isto se trata de uma música única. Transição apenas para Octane Twisted, que mais uma vez ao ritmo baladeiro faz apetecer levantar o isqueiro no ar. Mesmo quando Steven Wilson começa a cantar, é tudo muito suave e quase distante. Muito na boa… até que de repente parece que os trovões chegam e levanta-se um vendaval. And me likes!!!! Muitas variações, fazem deste um dos melhores temas do álbum. A seguir um pouco o ritmo suave do início da anterior, The Seance aparece para acalmar os ânimos e é muito constante, excepto o final agradável, que serve de intro a Circle Of Manias. Esta sim, começa já a abrir e não pára até ao fim. Para acabar, I Drive The Hearse fecha num ritmo muito calmo, mas que mais uma vez com a harmonia voz-instrumental a arrepiar.

Bem que os Porcupine adivinharam… o pessoal deve querer mais. Então toca a puxar do segundo disco, que arranca com Flicker a seguir a mesma linha do 1º disco. Sempre com uma sonoridade calma e arrastada, voz suave e em tom baixo. Bonnie The Cat é a segunda e sinceramente, não aprecio muito. Wilson quase que sussurra a música toda e creio que não traz nada de novo ao trabalho até meio, onde aí assim dá para abanar um bocado a carola. Mas isso é de pouca dura. Black Dahlia tem talvez dos ritmos mais calmos de todo o álbum. Era bem capaz de embalar um bebé, mas tem um refrão e uma letra absolutamente notável. Remember Me Lover dá o fim às hostes, deste quase encore ao verdadeiro miolo do álbum. Apesar de decorrer sempre a uma passada lenta, o final acaba por puxar um pouco, como se fosse para a despedida. Bela maneira de terminar.

Assim, com uma sonoridade um pouco diferente, quase até dá vontade de dizer aparte do resto, estes Porcupine Tree são um autêntico festim para quem (como eu) venera este tipo de sonoridades. Excelentes músicos (incluindo o vocalista), conseguem fazer deste The Incident não só um trabalho musical, mas também todo um cenário, todo um ambiente, que envolve quem o ouve (e gosta obviamente). É de louvar que hoje em dia, quando muito se diz que já não se faz música como antigamente, ainda surja pessoal como este, a mostrar que também se fazem coisas boas nos tempos de hoje. É preciso é adaptar à evolução dos tempos e também procurar um pouco mais. Neste momento, estou completamente roído de inveja de quem foi a Almada ver estes senhores em 2009, pois teve o prazer de ouvir The Incident na íntegra. Pena ter ficado a conhecer tarde de mais estes Porcupine.

Recomendável a fãs de Dream Theater, Riverside ou até mesmo de Tool ou Anathema. Fiquei fã e está na hora de conhecer o trabalho mais antigo destes camaradas. Brevemente, Harry Portas 6. Até lá, fiquem bem.

Nota: 8

Single: Time Flies (versão reduzida obviamente)

Publicado em Música, Álbuns de 2009 | Leave a Comment »

E os nomeados são…

Publicado por jcosta em 02/02/2010

Olá. Hoje é o tiro de partida oficial para a minha incursão habitual pelos óscares. À semelhança do ano passado, vou tentar ver todos os filmes nomeados nas categorias principais antes da cerimónia. Os nomeados são os seguintes (com links para os que eu já falei, indo sempre actualizando conforme uma nova review chega):

Melhor filme:

Avatar
The Blind Side
Distrito 9
Uma Outra Educação (An Education)
Nas Nuvens (Up In The Air)
Up – Altamente!
Estado de Guerra (The Hurt Locker)
Sacanas Sem Lei (Inglourious Basterds)
Precious
Um Homem Sério (A Serious Man)

Melhor Actor Principal:

Jeff Bridges (Crazy Heart)
George Clooney (Up In The Air – Nas Nuvens).
Colin Firth (A Single Man)
Morgan Freeman (Invictus)
Jeremy Renner (The Hurt Locker – Estado de Guerra).

Melhor Actriz Principal:

Sandra Bullock (The Blind Side)
Helen Mirren (The Last Station)
Carey Mulligan (An Education – Uma Outra Educação)
Gabourey Sidibe (Precious)
Meryl Streep (Julie e Julia)

Melhor Actor Secundário:

Matt Damon (Invictus)
Woody Harrelson (The Messenger)
Christopher Plummer (The Last Station)
Stanley Tucci (The Lovely Bones – Visto do Céu)
Christoph Waltz (Inglourious Basterds – Sacanas Sem Lei)

Melhor Actriz Secundária:

Penélope Cruz (Nine – Nove)
Vera Farmiga (Up In The Air – Nas Nuvens)
Anna Kendrick (Up In The Air – Nas Nuvens)
Maggie Gyllenhaal (Crazy Heart)
Mo’Nique (Precious)

Melhor Realizador(a):

Kathryn Bigelow (The Hurt Locker – Estado de Guerra)
James Cameron (Avatar)
Lee Daniels (Precious)
Jason Reitman (Up In The Air – Nas Nuvens)
Quentin Tarantino (Inglourious Basterds – Sacanas Sem Lei)

Melhor Argumento Original:

The Hurt Locker
Inglourious Basterds
The Messenger
A Serious Man
Up

Melhor Argumento Adaptado:

District 9
An Education
In The Loop
Precious
Up In The Air

Melhor Filme de Animação:

Coraline
Fantástico Sr. Fox (Fantastic Mr. Fox)
A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog)
The Secret Of Kells
Up

Portanto, o objectivo é dia 7 de Março isto estar completamente carregado de links, pois significaria que via tudo a tempo. Na altura tentarei os meus prognósticos (que foram horríveis no ano passado xD).

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The Resistance (2009)

Publicado por jcosta em 29/01/2010

Olá. O álbum abordado hoje, trata-se do mais recente dos britânicos Muse: The Resistance.

Banda: Muse (Reino Unido – 1994).

Género: Progressive / Alternative Rock.

Timeline: 5º álbum de estúdio.

Predecessor: Black Holes & Revelations (2006).

Duração: 54:18

Alinhamento: 1 – Uprising; 2 – Resistance; 3 – Undisclosed Desires; 4 – United States Of Eurasia (+ Collateral Damage); 5 – Guiding Light; 6 – Unnatural Selection; 7 – MK Ultra; 8 – I Belong To You (+ Mon Couer S’ouvre À Ta Voix); 9 – Exogenesis Symphony Part I (Overture); 10 – Exogenesis Symphony Part II (Cross-Pollination); 11 – Exogenesis Symphony Part III (Redemption).

Review: Nem sempre liguei a Muse. Quando era mais novo, gostava um pouco de os odiar. Até que um dia ouvi uma música chamada Butterflies & Hurricanes com atenção. Aí comecei a ouvir essa música algumas vezes, até desistir e passar a ignorar Muse novamente xD. Tudo mudou verdadeiramente à custa de um tema chamado Knights Of Cydonia. Se calhar o facto de os meus gostos terem variado um bocado ao longo do tempo, também contribuíram para que eu hoje goste imenso desta banda.

Showbiz, o primeiro trabalho do trio, introduz uma sonoridade diferente e algo psicadélica, que me agrada bastante. Origin of Simmetry é a grande obra destes senhores. Álbum que tem temas como New Born, Plug In Baby, Feeling Good, Citizen Erased ou Megalomania, merece muito respeito. Absolution surgiu de seguida e foi talvez o começo de uma abordagem a uma sonoridade mais comercial. Não que os anteriores fossem assim muito difíceis de assimilar. Mas Absolution introduziu temas mais “poppy” e fáceis de acompanhar (Time Is Running Out é um exemplo cabal disso). Black Holes & Revelations trouxe o boom. Com temas como Map Of The Problematique e a óbvia Supermassive Black Hole (que ainda piorou a onda após aparecer no infame Twilight), os Muse abrangeram as massas. Por isso, muito esperado era este Resistance… e o resultado ficou um pouco aquém.

O single Uprising dá o mote de arranque. Percebe-se imediatamente a continuação (e porque não agravamento) da sonoridade mais “pop” (até da na RFM for god sake), abandonando por completo o som mais alternativo do primeiro trabalho. No entanto, não posso dizer que não gosto. O nível melhora com Resistance. A introdução excelente com o piano, seguido da bateria e baixo, levam à entrada da brilhante voz de Matt. Durante o tema sentem-se também umas variações (não repentinas) de ritmo bem vindas. Quando se esperava que tudo melhorasse a partir daqui, Undisclosed Desires aparece. Ao pé desta, Uprising parece uma malha de rock frenético. Quase num som electrónico, esta faixa não é dos momentos mais brilhantes dos Muse. Quase como um sobe e desce, surge United States of Eurasia, de longe o melhor tema do álbum. Sim, é certo que soa a Queen muitas vezes, mas a sua qualidade é evidente, com a introdução dos coros (à lá Bohemian Rhapsody) e depois o ritmo ao piano e bateria brilhante. Guiding Light começa numa toada épica e aguenta-se ao longo da sua duração. Não encanta, mas é porreira. Unnatural Selection (2ª melhor do álbum), introduz bastantes variações. Aqui e ali um maior peso, acolá uma apetência a interacção com o público, de novo alguns coros e referências (novamente) a Queen e até a System of a Down diria eu xD. E pronto, para mim quase que acaba aqui. I Belong To You, com a sua parte francesa, é algo dispensável (para não dizer bastante). A sinfonia Exogenesis, arranca de maneira quase à semelhança de uma banda sonora de um filme, juntando depois Matt o seu falsete. No geral não gosto muito. Depois, a 2ª parte melhora um pouco e a terceira acaba bem o álbum.

Analisando tudo assim de repente, este é sem dúvida o pior álbum da carreira de Muse. Porém, não quer dizer que seja fraco. Certamente que quem apenas aprecie os primeiros trabalhos dos britânicos e nem possa ouvir falar no Black Holes, então detesta este The Resistance. Como eu até gosto do Black Holes, este Resistance ainda me soa bem. Espero, no entanto, que estes senhores voltem ao que melhor sabem fazer, deixando-se um bocado de tretas de sinfonias e de temas mais radio friendly, que não foi essa a essência com que eles começaram. Percebo que tenham evoluído o seu som, mas creio que aqui, isso foi um pouco longe de mais. Em trabalhos vindouros, seria bom que eles percebessem que se calhar o antigamente era melhor que o actual. Mas como isto vende à mesma e os fãs 100% Black Holes vão continuar a venerar tudo o que seja escrito por Matt, eu não prevejo esse regresso ao passado.

Eu considero Matt um dos melhores músicos da actualidade, pelo que era infame dizer que este álbum não presta. Mas pronto, acho que os anteriores são bem melhores e do que os verdadeiros fãs mais gosta. Eu não me considero verdadeiro fã, mas também concordo com essa visão (se bem que gosto muito mais do Black Holes do que eles se calhar).

Volto brevemente com o Incident dos Porcupine Tree e já sabem… até lá, fiquem bem e não andem a roubar gasolina às pessoas.

Nota: 6.5

Single: Resistance

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Crack The Skye (2009)

Publicado por jcosta em 28/01/2010

Boas. Há quanto tempo não falava de um álbum. Como um regresso convém ser em grande, escolhi um dos melhores álbuns do ano transacto no que diz respeito ao meu género favorito: Crack the Skye dos norte americanos Mastodon.

Banda: Mastodon (Estados Unidos – 1999).

Género: Progressive / Sludge Metal.

Timeline: 4º álbum de estúdio.

Predecessor: Blood Mountain (2006).

Duração: 50 minutos.

Alinhamento: 1 – Oblivion; 2 – Divinations; 3 – Quintessence; 4 – The Czar (I – Usurper, II – Escape, III – Martyr, IV – Spiral); 5 – Ghost Of Karelia; 6 – Crack The Skye; 7 – The Last Baron.

Review: Na minha humilde opinião, os Mastodon são das melhores (se não a melhor) banda de metal a surgir no século XXI. Falo isto obviamente, consoante as que conheço. Gostei bastante de Remission, venerei durante muito tempo (e ainda continuo) o Leviathan e acho a primeira metade e mais um pouquinho do Blood Mountain, verdadeiramente extraordinário. Portanto, as perspectivas para este Crack the Skye eram elevadas, principalmente até porque o álbum estava anunciado como conceptual. E como não poderia deixar de ser, os senhores Mastodon não deixaram os seus créditos por mãos alheias, e mostraram a sua notória qualidade.

A primeira característica notória deste trabalho, é algo que desde há muito se tornou evidente neles. Com o seu tipo de som menos linear, vocais semi distorcidos, variações e ritmos alucinantes, tocar ao vivo os temas não deve ser pêra doce. Como tive o azar de apenas os ver em festival das duas vezes, anseio claramente por um concerto em nome próprio (p. ex. no Coliseu), de modo a poder usufruir ao máximo do que as músicas podem oferecer. Crack the Skye segue um pouco a evolução demonstrada ao longo do tempo. Em Remission a sonoridade era difícil de descrever. Normalmente gosto de dizer que é mais crua que nos trabalhos posteriores. Não diria menos trabalhada ou menos meritória, mas certamente que não é tão fácil de entrar no ouvido. Os riffs são mais pesados e os vocais são praticamente “growls”, mas isso não impede de haver diamantes como March of the Fire Ants.  Em Leviathan começa a haver uma mistura de sons, com ritmos mais psicadélicos e vocais mais limpos, desde à alucinante Blood and Thunder, até à mais tranquila Seabeast. E em Blood Mountain, essas variações tornam-se ainda mais evidentes, apesar das passadas rápidas continuarem lá como se nota em The Wolf Is Loose ou a absolutamente esquizofrénica Circle Cysquatch.

Crack the Skye introduz completamente a mudança radical quando comparado com Remission. A maior parte dos vocais são limpos, apesar de muitos continuarem imperceptíveis à primeira audição, os ritmos tornaram-se cada vez mais variados e a abordagem total ao progressivo surgiu. Em Oblivion isso é evidente, desde a troca de versos cantados por Brann Dailor, Troy Sanders e Brent Hinds, à mudança de andamento entre refrão e o resto. Porém, Oblivion trata-se do single e portanto, não é assim nada de muito elaborado. Divinations é a que se segue e só pelo início percebe-se logo, que este som mais xpto vai ser uma constante por todo o álbum. Um arranque impossível de descrever, com um dedilhar de algo, que creio eu não ser uma guitarra, verdadeiramente de deixar alguém à beira de um ataque de loucura, para um ritmo bastante mais pesado e com vocais fortíssimos de Brent e Troy. Aqui aproveito para dizer que estas trocar de voz constantes, só dão um brilho especial aos temas dos Mastodon. Acho brilhante. Quintessence é o 3º tema e que mais há a dizer. Só a bateria de Brann dá vontade de chorar ao início. Posso dizer com segurança que alucino bastante a ouvir isto :P . Eu adoro o género mais progressivo, e a forma como estes senhores o abordam é muito bom. As passagens do refrão para o resto e vice versa, só demonstram que é evidente a qualidade musical destes senhores. The Czar é a seguinte na lista. E sinceramente, quando era esperado que isto não melhorasse mais, eis que surge um verdadeiro épico. Um autêntico hino. A letra pode ser repetitiva, a música pode ser bastante grande e com grande parte do tempo a um ritmo lento, mas sempre que ouço até dá arrepios. Transpira por todos os lados magia e preenche a alma. Ghost of Karelia tem a missão ingrata de seguir a titã Czar, mas só dá vontade de praguejar. Cheira mal o que estes tipos fazem. Acho que se o cd fosse mais longo, não o conseguiria ouvir sem ter um AVC antes do fim. Não sendo das melhores, mantém o nível claramente lá em cima. Então aquele refrão… Jesus. O tema homónimo do álbum, Crack the Skye é a penúltima faixa. E eu sinceramente nesta altura, não sei se é por já ter ouvido tanta coisa boa, é talvez a que gosto menos, apesar do refrão cantado por Troy ser divinal e gostar muito do tema no geral. The Last Baron fecha e até cansa. Verdadeiramente imparável nos seus mais de 10 minutos, deixando o ouvinte deste trabalho de papo cheio. É incrível como um tema tão grande consegue quase sempre dar a ideia de que vai em crescendo, pois quando parece bom para abrandar o ritmo, surgem novos riffs verdadeiramente alucinantes.

Resumindo, o trabalho está absolutamente fantástico na minha opinião. Não é um álbum perfeito, mas creio que nos dias de hoje é verdadeiramente refrescante ver que existem estes músicos tão talentosos, que podem carregar o fardo que muitos dinossauros lhes irão deixar no futuro, capazes de produzir um trabalho tão rico e completo. Tem a duração certa, os ritmos certos e a ordem das músicas sem nada a apontar. Certamente que se calhar não tem nenhuma das melhores 5 músicas de Mastodon (se bem que a Czar para mim estaria lá, ou pelo menos perto), mas no seu conjunto é capaz de ser dos trabalhos mais homogéneos deles. Para mim é de certeza absoluta mais coerente que Blood Mountain, que peca um pouco pela sua parte final, mais rico que Remission e quase próximo de Leviathan, apesar de achar que esse é impossível de rivalizar. Mastodon estão de parabéns e recomendo vivamente Crack the Skye a quem não ouviu. Nomeadamente a quem gosta de algo mais alternativo e progressivo, como os Porcupine Tree, Dream Theater, Riverside ou Isis, se bem que considero estes mais pesados que qualquer uma dessas.

Volto amanhã num género mais calmo com The Resistance dos Muse e depois com The Incident dos Porcupine. Até lá, podem ver a música e filme da semana e já sabem… fiquem bem.

Nota: 8.5

Single: Oblivion

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Sunshine Cleaning (2008)

Publicado por jcosta em 27/01/2010

Olá. De volta aos filmes, hoje vou falar de um não muito conhecido por cá, mas com duas actores muito promissoras, ou até posso dizer com firmeza, autênticas certezas. Falo de Sunshine Cleaning – Serviços de Limpeza.

Género: Comédia / Drama.

Duração: 91 min.

Língua: Inglês.

Orçamento: 5 milhões de dólares.

Receita: 15.5 milhões de dólares.

Rating: M/12.

Tagline: Life is a messy business.

Realizado por: Christine Jeffs (Sylvia).

Elenco: Amy Adams (Nomeada para 2 Óscares || Julie &  Julia), Emily Blunt (The Devil Wears Prada), Alan Arkin (Vencedora de 1 Óscar || Little Miss Sunshine), Jason Spevack (Fever Pitch), Steve Zahn (National Security), Mary Lynn Rajskub (24), Clifton Collins Jr. (Crank: High Voltage) e Eric Christian Olsen (Dumb and Dumberer: When Harry Met Lloyd).

Sumário: Rose Lorkowski (Adams) é uma mãe solteira na casa dos 30 anos, que faz limpezas para ganhar a vida. O seu filho Oscar (Spevack) tem uma maneira de ser bastante peculiar, o que o faz meter-se muitas vezes em sarilhos e a ser expulso da sua escola. Desta forma, Rose pensa que a única alternativa será uma escola privada, o que não consegue pagar com o seu trabalho. Em algumas noites, Rose deixa o seu filho com a sua irmã mais nova Norah (Blunt), rapariga que não consegue ter sucesso em nenhum dos seus empregos, para se encontrar com o seu amante casado (Zahn). Sendo ele polícia, convence Rose a entrar no negócio das limpezas forenses, pois devido aos elevados preços que as empresas levam, por valores menores, conseguiria fazer bastante sucesso e facturar muito mais do que no seu actual trabalho. Para isso, com a ajuda do seu pai Joe (Arkin) para cuidar do seu filho, Rose convence Norah a partir para este negócio, que inicialmente se mostra um sucesso, mas que pode não chegar para tapar outros problemas mais importantes: os pessoais.

Review: Cada vez mais, existe este tipo de comédias muito subtis e com uma carga dramática completamente evidente. Sunshine Cleaning, que não estreou nos cinemas nacionais, é um filme independente e sem grande orçamento, mas que com os dois nomes principais do seu elenco (e porque não 3 com o oscarizado Arkin), acabou por me saltar à vista. Sinceramente, estava à espera de uma comédia mais leve e mais óbvia, mas acabou por sair o que já referi. Uma comédia dramática, que parece quase um paradoxo, mas que é cada vez mais frequente.

Como se pode ver pelo sumário, a história não é nada de extraordinário. O que se pode dizer é que de facto, pauta um pouco pela originalidade. Pelo menos, no que ao tema da narrativa diz respeito: duas irmãs com uma empresa de limpeza forense. Só a premissa tem o seu quê de caricato, pelo que as situações mais cómicas não surpreendem quando surgem. O que não esperava, era a abordagem tão forte e evidente aos problemas emocionais das personagens, que creio eu se identificam com muito boa gente que habita este planeta chamado Terra. De um lado temos uma mãe solteira, com um emprego reles e que anda “enrolada” com a sua paixão de liceu, mas cujos sentimentos parecem não corresponder aos do seu amante. Do outro, temos uma jovem sem grandes perspectivas de futuro, com atitudes menos próprias para a idade, incluindo vestes mais rebeldes. E é muito à base disto que a história se desenrola.

E tudo isto é bem feito. Sem atingir patamares de grande qualidade, Sunshine Cleaning consegue entreter minimamente o espectador durante a sua duração, com o seu misto de caricato e dramático (mais esta segunda opção), mas sem levar a coisa a uns níveis de tragédia grega. Penso que a trama está bem montada, bem preparada e cumpre com o que lhe era pedido. E como é óbvio, o elenco ajuda nessa tarefa.

Começo por louvar o jovem Spevack. Sinceramente não sei qual é a idade do puto, mas que comparando com muitos que por aí andam naqueles filmes de pseudo-terror ou pseudo-drama, mete-os num bolso daqueles bem fundos. Depois, Amy Adams e a adorável a todos os níveis Emily Blunt, levam o filme todo ao colo, mantendo os pratos da balança entre elas quase ao mesmo nível. Pessoalmente, acho que Blunt tem muita qualidade para se afirmar daqui a uns anos como uma das melhores actrizes que há por aí, pois no que toca à sua geração acho que já leva o prémio. E até aquela actriz desconhecida e sem qualquer talento que se chama… Meryl Streep… já afirmou que é preciso ter “cuidado” com Blunt, pois será um caso sério. Menção ainda para Alan Arkin, que esperava maior acutilância como em outras comédias, mas que aqui limita-se a ser mais um papel banal, apesar de o considerar importante na história.

Porém, acho que Sunshine Cleaning podia ter feito mais. Como disse, o que está no filme está bem feito, mas creio que tinha sido uma melhor ideia não misturar as coisas. O que eu quero dizer com isto é: ou mudavam a parte mais dramática, fazendo uma comédia soft, mas que de facto o único propósito era fazer rir, ou então preparavam a história para algo 100% dramático. Assim, apesar de interessante e como já disse bem feito, ficou um bocado como um jogo de futebol com muitas bolas ao poste, mas que termina 0-0. Manteve o pessoal interessado, causou alguma emoção, mas depois no fim deixa o pessoal a dizer… bahh ninguém marcou a porra de um golo, ou seja, faltou ali qualquer coisa para fazer o click. Se calhar exagerei na metáfora, mas acho que me fiz entender… ou então não :P .

Resumindo, bonito mas nada de mais. Acho que mesmo assim merecia uma tentativa nos cinemas de Portugal, se bem que se calhar ainda teria as salas às moscas. Volto brevemente com alguma música, porque ainda não vi mais filme nenhum. Vou falar de dois álbuns interessantes de 2009 nos próximos dias, e sempre que tiver algum tempo, tentarei escrever sobre mais alguns do ano passado (ou até já deste ano). O primeiro será um dos melhores do ano para mim: Crack The Skye de Mastodon, que já muito tardou para aparecer aqui. Até lá, fiquem bem.

Nota: 6.5

Trailer:

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Moonspell + Bizarra Locomotiva (23/1/2010)

Publicado por jcosta em 24/01/2010

Olá. Primeiro concerto deste ano e que melhor maneira de começar, do que uma instituição da música nacional como estes Moonspell. No que foi considerado por Fernando Ribeiro o Dia do Metal, a FIL voltou a abrir as portas para um concerto de música… e logo da melhor música do mundo (pelo menos para mim).

Recinto: Feira Internacional de Lisboa – FIL @ Parque das Nações

Membros das bandas:

Bizarra Locomotiva – Rui Sidónio (Voz), Miguel Fonseca (Guitarra), Alpha (Teclas) e Rui Berton (Bateria).

Moonspell – Fernando Ribeiro (Voz), Ricardo Amorim (Guitarra), Aires Pereira (Baixo), Pedro Paixão (Guitarra, Teclas) e Mike Gaspar (Bateria).

Review: Desde o Optimus Alive de 2009, ainda eu tinha o perónio direito inteiro, que não ia ver um concerto de pé. Aliás, ainda estou na fase final da recuperação da lesão, pelo que só posso dizer que estou completamente podre. Apesar do dia estar feito para ser muito mais do que um concerto, com exposições, conferência, filme e after party, cheguei apenas ao recinto e já os Bizarra estavam em palco.

Não sendo nem de perto nem de longe fã, não tomei muita atenção inicialmente ao seu metal mais industrial. Mas como aquela hora já não havia muito para ver, lá nos instalámos a ver o espectáculo. Sidónio, de tronco nu a mostrar os seus músculos, com uma espécie de cuecas e uns farripos a simular calças, lá andava no seu estilo meio alucinado incansável do princípio ao fim. Também andava por lá em palco uma jovem a fazer uma espécie de teatro assim meio estranho. Cheguei a uma altura que temi pela vida da rapariga, pois ainda era sacrificada ou assim xD (isso já são as minhas teorias de conspiração). Lá para meio, foi posta no crowd surf e nunca mais a vi. Gostava de saber qual o papel dela ali… O concerto lá continuou, com instrumentais interessantes aqui e ali, mas que sinceramente a mim não me cativa muito. Aliás, já estava até meio distraído, que nem reparei na entrada de Fernando Ribeiro em palco para um bonito dueto com o Sidónio. Para o fim receei o pior, já que Sidónio tinha apenas um farripo a impedir a sua nudez total (excepto os sapatos), mas de quando em vez lá se via o rabiosque do senhor.

15 minutos de intervalo, separaram o começo dos senhores da noite. Com a introdução de Night Eternal, entrou Mike Gaspar e as Crystal Mountain Singers, desta vez apenas com dois elementos, para arrancar com o primeiro tema do mais recente álbum: At Tragic Heights. Na minha óptica, não há nada melhor para começar. Os tons góticos e com toadas épicas dados por o ritmo quase de marcha dos tambores e as vozes do coro, dão o ambiente para a entrada do resto da banda e o crescendo do ritmo, até ao “It is done” de Fernando, a arrancar por completo o poder do tema. No final, sem perder tempo, os teclados do tema homónimo do álbum Night Eternal dão o mote para mais festa. Estes dois temas são provas claras da qualidade do último trabalho dos Moonspell. Ainda por cima com o auxílio do coro ao vivo, dá outro encanto.

Por esta altura, percebia-se que o som não sendo o ideal, até não estava mau. Notava-se aqui e ali a bateria e a voz demasiado alta, mas aos poucos isso atenuou-se. Após a incursão a Night Eternal, as luzes tomaram toadas mais avermelhadas, dando a ideia de que Memorial estava prestes a ser introduzido. E qual a melhor maneira para o fazer, do que com o poder máximo de Finisterra. A partir daqui, pensei que iria haver então as variações de setlist prometidas… mas não. Memorial continuou com Memento Mori, e com Ricardo um pouco distraído, já que começou fora de tempo e com notas ao lado. Apesar de gostar bastante da música, acho que podia ter sido deixada de parte, por outras menos habituais. O reportório habitual continuou com a primeira incursão ao Antidote, com a imparável The Southern Deathstyle.

Agora sim, Fernando Ribeiro tem o seu primeiro grande discurso e anuncia alguns temas diferentes, pedindo desculpa por qualquer erro que possam cometer. Desta forma, anuncia o tema (único) de The Butterfly Effect. E só podia ser Soulsick. Tive um pouco de receio, mas ao vivo a música tem bastante mais potência. A normalidade voltou para mais uma overdose de Opium e o primeiro grande clímax da noite. É sempre um prazer ouvir este tema e pela reacção do pessoal, também pensam o mesmo. Sem abandonar Irreligious, a segunda surpresa surgiu com Herr Spiegelman. Sinceramente, acho que havia muitas outras mais capazes, como Awake ou For a Taste Of Eternity. Mas paciência. The Antidote regressa para a sempre saudada Everything Invaded, fechando um pouco os ritmos mais acelerados.

Scorpion Flower (mais uma vez sem Anneke), surgiu de seguida para descansar um pouco com a ajuda das Crystal Mountain, que ficaram para o 3º tema de Memorial da noite: Luna. Esta sim, absolutamente evitável. Quando se esperava de novo aceleração, Darkness & Hope surge por Nocturna. Mais uma vez, sem Luna poderia ter sido introduzida antes Firewalking ou Then The Serpents In My Arms. Desta forma, só Nocturna aqui no meio soube a pouco. Para juntar ao acalmar dos ânimos, Sin/Pecado é introduzido pela primeira vez no alinhamento para toda a FIL se deitar nos braços de Magdalene. Sinceramente, foi muito bom ouvir este tema.

Faltava Wolfheart… mas aquelas teclas não enganam ninguém. Fernando Ribeiro clama Vampiria, uma das grandes provas do porquê de Wolfheart ser dos melhores álbuns de metal de sempre (pelo menos para mim). Irreligious voltou com a aclamação por Mephisto e o final do concerto foi anunciado, com um pedido de Fernando Ribeiro à melhor resposta de sempre a Alma Mater. E o público correspondeu. É emocionante gritar este tema a plenos pulmões. O encore demorou mas apareceu. Quando esperava apenas 2 ou 3 músicas, com incursão ao EP Under The Moonspell, os portugueses arrancam com In and Above Man e From Lowering Skies de Antidote. De seguida, Memorial de volta com Blood Tells. A surpresa depois surgiu com uma tentativa semi-acústica da dupla Fernando e Ricardo, da versão dos Madredeus Os Senhores da Guerra. E para surpresa minha, Fernando deu-lhe nos vocais que nem uma maravilha. O final, igual como sempre. A celebração sobre a lua cheia com Full Moon Madness, termina sempre de maneira emocionante qualquer concerto de Moonspell.

Os agradecimentos foram muitos e tal como Fernando disse, ainda se lembrou de todos, não estando “ainda Ozzy Osbourne”. Via-se que a banda estava feliz com o sucesso deste dia.  Tudo correu bem, “graças a Satã” xD. A FIL estava extremamente bem composta… até o Miguel Angelo dos Delfins lá estava. Depois, todo o espectáculo visual, simples mas eficaz, com os vídeos alusivos aos temas a passar por trás e o recurso aos lança chamas em Mephisto. A sinceridade de Fernando Ribeiro, assim como o profissionalismo total de todos os integrantes da banda é evidente. Eu sinto-me orgulhoso por ser português e por ter como representantes do meu país, uma banda de tanta qualidade, e ao mesmo tempo cheia de humildade. Confesso que foi emocionante, houve momentos em que me emocionei bastante, pois cada riff, cada nota tocada era sentida, não só pela banda mas pelo público. Full Moon Madness dá sempre cabo de mim e ontem não foi excepção. O único senão foi um pouco a setlist. Menos Memorial e Antidote, com mais uma de Darkness & Hope e mais umas duas de Wolfheart, fariam bastante melhor efeito. Mas paciência.

Resumindo, foi excelente. Moonspell deviam de ser um orgulho para todos nós, goste-se ou não, pois é um privilégio te-los como representantes do nosso país lá fora. Obrigado Moonspell por tudo, principalmente por mais uma fantástica noite, onde os 15 euros do bilhete pareceram irrisórios. Volto amanhã com o filme Sunshine Cleaning. Até lá, fiquem bem.

Alinhamento:

1 – At Tragic Heights (Night Eternal)
2 – Night Eternal (Night Eternal)
3 – Finisterra (Memorial)
4 – Memento Mori (Memorial)
5 – The Southern Deathstyle (The Antidote)
6 – Soulsick (The Butterfly Effect)
7 – Opium (Irreligious)
8 – Herr Spiegelman (Irreligious)
9 – Everything Invaded (The Antidote)
10 – Scorpion Flower (Night Eternal)
11 – Luna (Memorial)
12 – Nocturna (Darkness & Hope)
13 – Magdalene (Sin/Pecado)
14 – Vampiria (Wolfheart)
15 – Mephisto (Irreligious)
16 – Alma Mater (Wolfheart)
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17 – In And Above Man (The Antidote)
18 – From Lowering Skies (The Antidote)
19 – Blood Tells (Memorial)
20 – Os Senhores da Guerra (Darknes & Hope)
21 – Full Moon Madness (Irreligious).

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