Olá. Cá estamos então numa viagem ao passado, para falar um bocadinho sobre um dos primeiros grandes êxitos do sr. Scorsese, Taxi Driver.
Género: Drama / Thriller.
Duração: 113 min.
Língua: Inglês.
Orçamento: 1,3 milhões de dólares.
Receita: 28 milhões de dólares (nos States só e apenas).
Rating: M/18.
Tagline: On every street in every city, there’s a nobody who dreams of being a somebody.
Realizado por: Martin Scorsese (Vencedor de 1 Óscar || Goodfellas).
Elenco: Robert DeNiro (Vencedor de 2 Óscares || Casino), Jodie Foster (Vencedora de 2 Óscares || The Silence Of The Lambs), Albert Brooks (Nomeado para 1 Óscar || Finding Nemo), Leonard Harris (Hero at Large), Peter Boyle (Everybody Loves Raymond) e Cybill Shepherd (Cybill).
Sumário: Travis Bickle (DeNiro) é um homem solitário e deprimido a viver em Manhattan. Travis torna-se taxista à noite de modo a lidar com a sua insónia crónica. Nos seus tempos livres, escreve no seu diário e frequenta cinemas de filmes pornográficos. Ao conhecer Betsy (Shepherd), uma voluntária na campanha do senador Palantine (Harris), fica fascinado por ela e passa horas no exterior da sede de campanha só a olhar para ela. Ao fim de um tempo decide convidá-la para sair, ao que ela aceita criando entre os dois uma relação interessante. Entretanto, Bickle comete o erro de a levar a ver um filme pornográfico, o que a deixa ofendida e a afasta dele. A partir daí o taxista torna-se um pouco mais violento, mostrando-se zangado com o crime nas ruas da cidade, nomeadamente o de prostituição. Adquire várias armas e na tentativa de defender um amigo de um assalto, acaba por matar o prevaricador. Tudo de se torna pior quando conhece a prostituta de 12 anos Iris (Foster), que irá encabeçar a lista de prioridades de Travis, no sentido de a desviar dessa vida, nem que seja preciso matar por isso.
Review: Um dos grandes clássicos do cinema, estando inclusive no nr. 47 no top 100 da AFI, nunca me tinha passado pela vista. Desta forma, ganho um pouco mais de cultura cinematográfica e passo um bom bocado pelo caminho.
No que foi um dos grandes impulsionadores da carreira de Scorsese (e onde DeNiro era o fetiche em vez de DiCaprio), este Taxi Driver é um filme complicado e muito difícil de apreciar. Num ritmo nada rápido e numa onda muito sombria e perturbadora até, conheço muito boa gente que ia adormecer a ver. Mas dentro do seu género e dentro da sua época, percebo por que é um marco.
Uma história bastante simples, mas cheia de psicologia pauta toda a duração do filme, levando o espectador para o mundo de Travis Bickle. E era precisamente esse o objectivo. Durante todo o tempo conseguimos perceber os sentimentos da personagem, desde as suas perturbações à própria ingenuidade, sendo essa a verdadeira vitória.
E para isso tem de contar com um grande actor. E se conta. DeNiro ainda jovem, mostra mais uma vez que qualquer papel é a sua praia. Seja gangster, seja maluco, seja cómico, seja gajo perturbado. O homem é um senhor. Depois, com o promissor (na época) acompanhamento de Jodie Foster, principalmente nas sequências finais, ainda dá um toque mais especial. Tudo o resto é muito secundário à volta de um DeNiro em grande forma.
Indo pegar de novo nos tops da AFI, temos a 10ª melhor fala de sempre (Are you talking to me?)… nada contra nesse aspecto. O 22º lugar na lista de “thrills” parece um pouco exagerado, apesar da intensidade da última cena em que se nota claramente que estamos a ver um filme de há séculos atrás, mas cuja força é brutal. Depois Travis Bickle é considerado o 30º melhor vilão, do qual discordo completamente. Penso que a ideia de Scorsese não era fazer de Travis um vilão, mas sim colocar naquela personagem problemática um pouco do sentimento comum dos cidadãos. Aquela ideia de que se pudesse gostava, de “limpar as ruas” do crime que as assolam. E o fim, real ou não, acaba por dar essa ideia.
Portanto, resumindo temos aqui um filme bastante difícil de avaliar, mas que enche as medidas a quem souber um pouco ao que vai, como eu felizmente ia. Não é genial, mas é muito bom e mostra mais uma vez que Scorsese é um dos grandes senhores do cinema americano.
Regresso já amanhã com mais um filme, isto é non-stop, nomeadamente o thriller de 2009: State of Play.
Nota: 8.5
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